Segundo a doutrina da Igreja Católica, o Purgatório não é um nível intermédio entre o Inferno e o Paraíso, mas um estado de purificação onde as almas dos que morreram em estado de graça (isto é, não estão manchados pelo pecado mortal e, portanto, já estão destinadas ao Paraíso), ainda precisam se purificar para ver a face de Deus no Céu. Isto se justifica pela existência nas almas de manchas originadas pelos pecados veniais (ou leves) e pelas penas temporais devidas ao pecado, pois que 'nada de impuro pode entrar no céu' (Ap.21,27). A existência do Purgatório se baseia no testemunho da Sagrada Escritura e da Tradição. Vários Concílios o definiram como dogma; Santos Padres e Doutores da Igreja o atestam a uma voz. Há uma prisão da qual não se sairá senão quando tiver pago o último centavo. (Mat. 18, 23-35). O menor sofrimento no Purgatório, como dizem os santos, ultrapassa todos os possíveis sofrimentos na terra. Está em nosso poder reduzi-los e ajudar as almas a alcançar a felicidade pela qual anseiam. Por isso o amor ao próximo deve ser o estímulo para lhes levar ajuda. Em vista de tudo o que foi acima exposto, se compreenderá a importância da fundação levada a cabo pela Beata Maria da Providência. Eugênia Maria Josefina Smet nasceu no dia 25 de março de 1825, na cidade de Lille, França. Era a terceira de seis filhos de uma família abastada de origem flamenga. Estudou por dez anos junto às Irmãs do Sagrado Coração de Lille. Concluídos os estudos, desejava ingressar naquele instituto como religiosa, mas retornou à sua casa. Embora tivesse inclinação para a vida religiosa, permaneceu em família e dedicou-se ao apostolado leigo.
Maria era teimosa e não gostava de ouvir muitos conselhos de seus diretores. Por isso os capelães de sua comunidade duravam muito pouco tempo e a Comunidade não progredir. Mas Deus lhe concedeu o remédio de que precisava. Enviou-lhe um sábio padre jesuíta que com diplomacia, mas energia, conseguiu que a Irmã Maria o ouvisse e seguisse os seus conselhos. Ela, que era tão dominante, agora tinha um de seu tamanho diante dela. Finalmente, um dia confessou-lhe claramente: “Padre, conseguiste dominar a minha arrogância e teimosia!” O padre respondeu: “Se Deus quiser, de agora em diante, o que você vai procurar é fazer sempre não o que seus impulsos e seus caprichos o aconselham, mas o que mais lhe parece ser a vontade de Deus”. Outro dia ela disse ao santo jesuíta: “Padre, estou totalmente desgostosa comigo mesma e com a maneira como me comporto”. E ele respondeu: “Estou contente que você não esteja feliz com a forma como você é e se comporta. Se você estivesse feliz, isso seria um mau sinal”. Com a orientação espiritual do padre jesuíta e com mais cinco religiosas, iniciou no dia 19 de janeiro de 1856, a Congregação das Auxiliadoras das Almas do Purgatório, com a finalidade de rezar pelos defuntos. Mas, Maria da Providência (nome que adotou na Congregação) conheceu o duríssimo “purgatório” que muitos passavam ainda em vida e por isso estabeleceu que as Irmãs Auxiliadoras deveriam interceder em duas frentes: pelas almas, com suas orações; pelos vivos carentes, alimentação, alfabetização e tratamento quando enfermos. Assim, sempre confiante na Providência, seguiu avante serena e decidida, promovendo uma sólida ligação entre o terreno e o celeste: toda alegria doada neste mundo é convertida para os outros em esperança de maior beatitude no mundo invisível. A regra e a espiritualidade de Santo Inácio foram adotadas em 1859, consolidando o Instituto, cuja expansão é lenta porque a fundadora não tem pressa: com sua praticidade flamenga ela quer primeiro “robustecer as raízes”. Em vida, a fundadora abriu as casas de Nantes (1864) e Bruxelas (1869) na Bélgica; e as de Shangai (1867) e Zi-Ka-Wei (1869) na China. No final do século XX as Auxiliadoras eram cerca de 1500 em sessenta casas espalhadas pelo mundo. A imensa paciência com que suportou vários sofrimentos provocados por um câncer, demonstraram claramente a grandeza de sua personalidade. Não cessou sua atividade. Teve forças para organizar um novo convento em Bruxelas, porém suas energias diminuíam. A guerra franco-prussiana de 1870 aumentou suas provações. Podo tirar suas noviças de Paris, antes que os alemães a sitiassem, e enviou-as à Nantes e à Bruxelas. Ela se extinguiu sob os tiros dos canhões inimigos. O sacerdote que a assistia, Pe. Pierre Olivaint, morreria nos massacres da Comuna de Paris alguns meses depois. A Fundadora faleceu no dia 7 de fevereiro de 1871 consumida por um câncer. Seu rosto crispado pelas dores voltou à serenidade após sua morte. Que como esta santa fundadora, também nós logremos dominar nossos impulsos, nossas inclinações, e deixemo-nos guiar pelas luzes e inspirações de quem nos queira levar à santidade. Pio XII a proclamou beata em 1957, com sua celebração litúrgica no dia 7 de fevereiro.
Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br
https://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_de_la_Providenciahttps://www.aciprensa.com/

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