Evangelho segundo São João 15,1-8.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor.
Ele corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto.
Vós já estais limpos, por causa da palavra que vos anunciei.
Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim.
Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer.
Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará. Esses ramos, apanham-nos, lançam-nos ao fogo e eles ardem.
Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido.
A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos».
Tradução litúrgica da Bíblia
Bispo, doutor da Igreja
Comentário sobre o Evangelho de João, 10,2
«Se alguém permanece em Mim e Eu nele,
esse dá muito fruto»
O Senhor afirma que é a videira, para nos ensinar a unirmo-nos ao seu amor e nos mostrar a quantidade de graças que recebemos por estarmos unidos a Ele. E compara a ramos os que estão unidos a Ele, presos e fixos nele de alguma forma, afirmando que são já «participantes da natureza divina» (2 Pe 1,4), porque receberam o Espírito Santo. De facto, o que nos une a Cristo Salvador é o Espírito Santo.
Com efeito, recebemos o novo nascimento dele e nele, no Espírito, para dar frutos de vida; não da vida anterior e ultrapassada, mas da vida renovada pela fé e pelo amor a Ele. Permaneçamos neste estado, enxertados em certa medida em Cristo, unidos custe o que custar ao mandamento sagrado que nos foi dado. Esforcemo-nos por conservar os benefícios desta nobreza, ou seja, por não «ofender o Espírito Santo» (Ef 4,30), que fez de nós sua morada e através de quem sabemos que Deus permanece em nós.
Assim como a cepa da vinha fornece e distribui aos ramos a sua qualidade natural e própria, assim o Verbo, Filho Único de Deus Pai, introduz nos santos um parentesco com a sua natureza, dando-lhes o Espírito, sobretudo aos que estão unidos a Ele pela fé e pela santidade perfeita. Ele alimenta-os e faz crescer o seu fervor; e desenvolve neles a capacidade para as virtudes e para a bondade total.

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