Evangelho segundo São Lucas 11,1-4.
Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Batista ensinou também os seus discípulos».
Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: "Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso Reino;
dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados,
porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação"».
Tradução litúrgica da Bíblia
(345-407)
Presbítero de Antioquia,
bispo de Constantinopla,
doutor da Igreja
6.ª homilia sobre a oração;
PG 64, 462D-463B, 466
O bem supremo da oração
O bem supremo é a oração, a conversa familiar com Deus. A oração é relação com Deus e união com Ele; e, assim como os olhos do corpo são iluminados pela visão da luz, assim também a alma voltada para Deus é iluminada pela sua luz inefável.
A oração não resulta de uma atitude exterior, vem do coração; não está encerrada em horas ou momentos específicos, está continuamente em atividade, de noite e de dia. Não nos contentemos em dirigir o pensamento para Deus quando ele se aplica exclusivamente à oração; mesmo quando temos o pensamento absorvido noutras ocupações – como a atenção aos pobres ou qualquer outra preocupação, com vista a uma obra boa e útil –, é importante combiná-las com o desejo e a recordação de Deus, a fim de oferecer ao Senhor do Universo um alimento doce, temperado com o sal do amor de Deus.
A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a medianeira entre Deus e os homens. Através dela, a alma eleva-se ao Céu e abraça o Senhor com abraços inefáveis. Como uma criança apela a sua mãe, a alma clama a Deus chorando, sedenta do leite divino, exprimindo os seus desejos íntimos e recebendo presentes superiores a qualquer natureza visível. A oração, pela qual nos apresentamos com reverência diante de Deus, é a alegria do coração e o repouso da alma.

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