segunda-feira, 14 de setembro de 2026

São Pedro II de Tarantasia Bispo-Festa:14 de setembro

(*)Saint-Maurice-de-l'Exil, França, 1102
(+)Bellevaux, França, 14 de setembro de 1174 
Monge do mosteiro cisterciense de Bellevaux, fundou o mosteiro de Tamié. Distinguiu-se pela sua estrita observância da Regra. Depois, a pedido do próprio São Bernardo, aceitou o bispado de Tarentaise. Ali, lutou pelos direitos da Santa Sé e pela paz da Igreja, restabeleceu o hospício de Grand-Saint-Bernard, construiu vários outros e, por fim, retirou-se para Bellevaux, onde faleceu em 1174. 
Martirológio Romano:No mosteiro de Beauvale, no território de Besançon, na França, faleceu São Pedro, que, de abade cisterciense, passou a governar com zelo ardente a sé de Moûtiers, para a qual fora elevado, promovendo fervorosamente a concórdia entre os povos. Na história da Igreja, três homônimos da região da Saboia, conhecidos como Pedro de Tarentaise, foram reconhecidos como dignos das honras dos altares. O mais importante, embora o último em ordem cronológica, foi o Beato Papa Inocêncio V, nascido Pedro de Tarentaise, que ocupou o trono de Pedro por apenas quatro meses, de 22 de fevereiro de 1276 a 22 de junho do mesmo ano. Sua memória é celebrada no calendário em 23 de junho. Os outros dois foram arcebispos da Tarentaise, uma sub-região da Saboia, com sua sé episcopal localizada na antiga cidade de Moutiers. O segundo deles, São Pedro II, nasceu em 1102 em Saint-Maurice-de-l'Exil, na diocese de Vienne, perto da Abadia Cisterciense de Bonnevaux. Este jovem pastor da região francesa do Delfinado logo se mostrou um prodígio, chegando a memorizar todo o Saltério. Por volta dos vinte anos, decidiu ingressar no mosteiro mencionado anteriormente, seguido pouco depois por seu pai e dois irmãos. Sua mãe e uma irmã, por sua vez, optaram pela Abadia de Saint-Paul, perto de Izeaux. Em 1132, Pedro foi nomeado primeiro abade da nova Abadia de Tamié, na Saboia, recentemente fundada pelo Arcebispo de Tarentaise, Pedro I. Foi precisamente com esse evento que começou o risco de inevitável confusão entre os dois homônimos. Convém, portanto, esclarecer que a Abadia de Tamié foi fundada pelo Beato Pedro I de Tarentaise, enquanto o indivíduo em questão foi seu primeiro abade, adotando o nome de Pedro I. Após cerca de dez anos, porém, foi elevado, por intercessão de São Bernardo, à sé episcopal anteriormente ocupada pelo falecido Beato. O proto-abade de Tamié tornou-se, assim, arcebispo com o nome de Pedro II, e sob essa nova numeração passou a ser conhecido pela Igreja universal como São Pedro II de Tarentaise. Tendo-se estabelecido na antiga diocese do alto vale do Isère, com a inestimável ajuda dos Cônegos Regulares, ele pôde reformar o cabido da catedral de Moutiers. Pedro II acostumou-se a viver em comunidade com os religiosos dessa congregação. Para estreitar ainda mais sua proximidade com os fiéis, realizou visitas pastorais a todas as paróquias sob sua jurisdição. Contudo, sua reputação como taumaturgo espalhou-se rapidamente. Isso o levou a considerar a possibilidade de fugir secretamente da diocese e retirar-se para uma vida mais tranquila no mosteiro suíço de Lucelle, perto de Basileia, onde se dedicaria ao trabalho no campo como um monge comum. Descoberto inesperadamente por seus seguidores, ele retornou a Tarentaise com relutância e retomou seu trabalho. Planejou, então, adaptar o palácio episcopal para auxiliar os pobres e necessitados, com quem pretendia compartilhar as refeições diárias. A obra de caridade mais famosa que instituiu foi o "Pão de Maio", uma tradição que perdurou até o auge da Revolução Francesa, consistindo na distribuição de sopa pelo próprio bispo. Conta-se que, em uma dessas ocasiões, o santo bispo multiplicou milagrosamente a comida disponível. Do ponto de vista material, reconstruiu a antiga catedral e, em 1150, foi a Tamiè, com a qual manteve laços estreitos mesmo durante seu longo ministério episcopal, para a consagração da nova igreja. Trabalhou para ampliar e agilizar a assistência aos viajantes no Passo do Pequeno São Bernardo, que ligava sua diocese e, de modo geral, a Saboia ao Vale de Aosta adjacente, e a França à Itália. Sua figura não poderia deixar de ganhar prestígio, inclusive aos olhos de seus poderosos vizinhos da época. Os condes de Saboia, o papa e os abades dos mosteiros vizinhos buscavam cada vez mais sua ajuda. O bispo Pedro II se viu obrigado a se opor até mesmo ao imperador Frederico I Barbarossa, um fervoroso defensor do antipapa Vítor IV, e teve que percorrer inúmeras cidades pregando fidelidade ao legítimo Papa Alexandre III, em nome da unidade da Igreja. O cisma só terminou com a morte de Vítor IV em 1139. Trinta e um anos depois, ele teve que se encontrar novamente com o imperador perto de Besançon para persuadi-lo a desistir de suas más intenções de prejudicar o cristianismo. Em 1173, o Papa Alexandre III lhe confiou a delicada tarefa de mediar entre os soberanos Luís VII da França e Henrique II da Inglaterra, que estavam em conflito devido a antigas disputas sobre a soberania de alguns territórios franceses. Ao tentar chegar à Inglaterra, já com a saúde debilitada e aclamado em todos os lugares como um verdadeiro santo, faleceu na Abadia de Bellevaux em 14 de setembro de 1174. Recebeu um sepultamento digno na igreja do mosteiro. O Papa Celestino III o canonizou oficialmente em 1191. Devido aos laços históricos entre as duas regiões, ainda hoje, na Itália, a diocese de Aosta celebra a memória do Bispo São Pedro (II) de Tarantasia na data tradicional de 6 de maio.
Autor: Fabio Arduino

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