sexta-feira, 14 de agosto de 2026

São Marcelo de Apamea, Bispo e Mártir Festa: 14 de agosto

(†)Apameia, Síria, c. 390
 
São Marcelo, bispo de Apameia, na Síria, foi morto por pagãos, enfurecidos por ele ter promovido a demolição de vários templos, em conformidade com o édito promulgado pelo imperador São Teodósio I, o Grande. 
Etimologia: Marcello, diminutivo de Marco = nascido em março, sagrado para Marte, do latim 
Martirológio Romano: Em Apameia, na Síria, São Marcelo, bispo e mártir, foi morto pela fúria dos pagãos por ter destruído um templo dedicado a Júpiter. 
O imperador Teodósio I, o Grande, chamado por Graciano para governar o Império Romano do Oriente, prosseguiu com seu projeto mesmo após a morte: estabelecer um Estado religiosamente unido e coeso, objetivo que tentou alcançar, por vezes, impondo a religião cristã em todo o império. Assim, fundou um verdadeiro Estado cristão, na época de Santo Agostinho, o maior Padre da Igreja Latina, num período em que o imperador desempenhava um papel decisivo nas disputas entre ortodoxos e hereges, a ponto de ele próprio comutar as penas daqueles que não professavam a doutrina correta. Em 380, Teodósio e Graciano publicaram um decreto segundo o qual todos os súditos do império eram obrigados a professar a fé dos bispos de Roma e Alexandria, e qualquer um que não obedecesse seria considerado "louco e mentalmente instável" (Códice Teodosiano 16,2). Sacrifícios foram, portanto, proibidos e diversas heresias desenfreadas, incluindo o arianismo, foram combatidas. Assembleias ilegais realizadas em residências particulares foram proibidas, e as casas foram confiscadas. Finalmente, em 384, o Altar da Vitória foi removido do Senado Romano. Oito anos após a promulgação do édito, Teodósio enviou um oficial ao Egito, à Ásia Menor e à Síria para fazer cumprir o decreto que ordenava a destruição de todos os templos pagãos. Essa política implacável e violenta, contudo, logo despertou a ira dos não-cristãos. Monges começaram a percorrer as províncias orientais, destruindo edifícios sagrados e obras de arte, enquanto hordas de saqueadores pilhavam não apenas santuários pagãos, mas também vilarejos e regiões inteiras suspeitas de heresia. Assim que o prefeito imperial chegou à cidade síria de Apameia, ordenou imediatamente que seus soldados destruíssem o Templo de Zeus, mas eles foram incapazes de derrubar uma edificação tão majestosa e bem construída. Marcelo, o bispo da cidade, sugeriu então que o prefeito enviasse seus homens para outro lugar, prometendo que ele mesmo cuidaria disso nos dias seguintes à destruição do templo. No dia seguinte, um operário abordou o bispo, oferecendo seu trabalho para esse fim em troca de pagamento em dobro. Marcelo aceitou, e o homem começou a demolição, derrubando algumas colunas de sustentação e incendiando os alicerces. O bispo decidiu então empreender a destruição de outros templos, até encontrar um defendido por seus fiéis e "teve que se retirar do campo de batalha, fora do alcance das flechas, porque sofria de gota e não podia lutar nem fugir". Enquanto observava a batalha de seu refúgio, foi abordado por alguns pagãos que o capturaram e o lançaram às chamas. Tendo descoberto os culpados, os cristãos desejaram vingar o assassinato, mas o sínodo provincial não o permitiu, considerando impróprio regozijar-se na honra do martírio concedido por Deus ao seu pastor. O São Marcelo hoje comemorado pelo Martirológio Romano, bispo de Apameia, não deve ser confundido com o santo de mesmo nome venerado em 29 de dezembro, natural de Apameia que mais tarde se tornou abade de Constantinopla. 
Autor: Fabio Arduino

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