quarta-feira, 5 de agosto de 2026

EVANGELHO DO DIA 05 DE AGOSTO

Evangelho segundo São Mateus 15,21-28. 
Naquele tempo, Jesus retirou-Se para os lados de Tiro e Sidónia. Então, uma mulher cananeia, vinda daqueles arredores, começou a gritar: «Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim. Minha filha está cruelmente atormentada por um demónio». Mas Jesus não lhe respondeu uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-Lhe: «Atende-a, porque ela vem a gritar atrás de nós». Jesus respondeu: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel». Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: «Socorre-me, Senhor». Ele respondeu: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Mas ela insistiu: «É verdade, Senhor; mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Então, Jesus respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas». E, a partir daquele momento, a sua filha ficou curada. 
Tradução litúrgica da Bíblia 
Cardeal Joseph Ratzinger 
(Bento XVI Papa de 2005 a 2013) 
Retiro pregado ao Vaticano, 1983 
«Meu Senhor, nosso único Rei, 
vinde socorrer-me, porque estou só e não tenho outro auxílio
 senão Vós» (Est 14,3) 
No evangelho, Jesus convida-nos à oração: «Pedi e dar-se-vos-á, procurai e encontrareis, batei à porta e abrir-se-vos-á» (Mt 7,7). Estas palavras de Jesus são preciosíssimas, porque exprimem a verdadeira relação entre Deus e o homem, e porque respondem a um problema fundamental de toda a história das religiões e da nossa vida pessoal: será justo e bom pedir alguma coisa a Deus? Ou a única resposta correspondente à transcendência e à grandeza de Deus é glorificá-lo, adorá-lo, dar-Lhe graças, numa oração que será, por conseguinte, desapegada? Jesus ignora este receio. Jesus não ensina uma religião para elites, totalmente desinteressada. A ideia de Deus que Jesus nos ensina é diferente: o seu Deus é muito humano, um Deus bom e poderoso. A religião de Jesus é muito humana, muito simples, é a religião dos simples: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11,25). Os pequeninos, os que têm necessidade da ajuda de Deus e o dizem, compreendem muito melhor a verdade do que os inteligentes, que, recusando a oração de súplica e aceitando apenas o louvor desinteressado de Deus, constroem uma autossuficiência do homem que não corresponde à sua indigência, tal como é expressa nas palavras de Ester: «Vinde socorrer-me, porque estou só» (Est 14,3). Por trás desta nobre atitude que não quer incomodar Deus com os nossos pequenos males, esconde-se a seguinte dúvida: terá Deus poder para responder às realidades da nossa vida, poderá Deus mudar as nossas situações e entrar na realidade da nossa vida terrena? Se Deus não atua, se não tem poder sobre os acontecimentos concretos da nossa vida, como é que continua a ser Deus? Mas, se Deus é amor, o amor não encontrará uma possibilidade de responder à esperança daquele que ama? Se Deus é amor, e se Ele não pudesse ajudar-nos na nossa vida concreta, o amor não seria o poder maior deste mundo.

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