quarta-feira, 17 de junho de 2026

EVANGELHO DO DIA 17 DE JUNHO

Evangelho segundo São Mateus 6,1-6.16-18. 
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».
Tradução litúrgica da Bíblia 
São John Henry Newman 
(1801-1890) 
Teólogo, 
fundador do Oratório em Inglaterra 
Sermão «Times of Private Prayer», 
PPS, t. 1, n.° 19 
«Tu, porém, quando rezares,
entra no teu quarto, 
fecha a porta e ora a teu Pai em segredo» 
Aqueles que buscam o Deus invisível, buscam-no no seu coração e nos seus pensamentos secretos, e não nas palavras barulhentas, como se Ele estivesse longe deles. Têm o costume de se retirar para onde não haja olhos humanos que os vejam; para onde, humildes e cheios de fé, podem encontrar Aquele que está perto do seu caminho, junto do seu leito, e vê todas as suas atitudes. E Deus, que sonda os corações, os recompensará no último dia. A oração feita em segredo, segundo a vontade de Deus, é conservada como um tesouro no seu Livro da Vida (cf Sl 68,29). Talvez essa oração tenha requerido uma resposta neste mundo e não a teve; talvez o próprio que a formulou se tenha esquecido dela e o mundo nunca tenha sabido da sua existência. Mas Deus recorda-a para sempre; e no último dia, quando os livros forem abertos (cf Dn 7,10; Ap 20,12), essa oração será revelada e recompensada diante de todo o mundo. […] Sabemos bem que devemos estar em oração e meditação, em certo sentido, durante todo o dia (cf Lc 18,1); mas devemos rezar de maneiras determinadas a certas horas do dia. Mesmo que não sejam absolutamente necessárias à oração privada, estas horas e estas fórmulas precisas são uma grande ajuda; e Nosso Senhor ordena-nos que as façamos quando diz: «Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto…». Até Nosso Senhor tinha momentos privilegiados para a comunhão com Deus. É verdade que os seus pensamentos eram um contínuo ofício divino oferecido ao Pai, mas, além disso, «subiu a um monte, para orar a sós» e «passou a noite a orar a Deus» (Mt 14,23; Lc 6,12). É preciso insistir neste dever de respeitar momentos precisos para a oração pessoal e privada, porque, no meio das preocupações e das tensões da vida, temos muitas vezes tendência para nos esquecer dela, e este dever é bem mais importante do que habitualmente o consideram até aqueles que o cumprem.

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