Evangelho segundo São Marcos 3,20-21.
Naquele tempo, Jesus chegou a casa com os seus discípulos. E de novo acorreu tanta gente que eles nem sequer podiam comer.
Ao saberem disto, os parentes de Jesus puseram-s . e a caminho para O deter, pois diziam: «Está fora de Si».
Tradução litúrgica da Bíblia
Tratado espiritual do século XV,
Livraria Moraes, 1959
Livro IV, capítulo 11, 3-5
Entregue aos homens e a seu Pai,
Cristo alimenta-nos com a Palavra e o Pão da Vida
Tu. ó Deus, és testemunha de que nenhuma coisa pode consolar-me, nenhuma criatura dar-me repouso, mas só Tu, meu Deus, a quem desejo contemplar eternamente. Mas tal não é possível enquanto eu viver neste estado mortal. Até lá, terei os livros sagrados por consolação e espelho de vida e, sobre tudo isto, o teu santíssimo Corpo por único remédio e refúgio.
Na verdade, sinto que duas coisas me são sobretudo necessárias neste mundo, sem as quais esta vida miserável se me tornaria impossível. Prisioneiro no cárcere deste corpo, confesso faltarem-me duas coisas: alimento e luz. Assim, Tu me deste, a mim, que sou fraco, o teu sagrado Corpo, para refeição do espírito e do corpo, e «tua palavra é farol para os meus passos e luz para os meus caminhos» (Sl 119,105). Sem estas duas coisas, não poderia viver bem: a Palavra de Deus, luz da minha alma, e o teu sacramento, Pão da Vida.
Eles podem comparar-se a duas mesas, postas dum e doutro lado do tesouro da Santa Igreja. Uma das mesas é a do altar sagrado, que tem o Pão santo, ou seja, o precioso Corpo de Cristo; a outra é a da Lei divina, que contém a doutrina santa, instruindo na verdadeira fé e conduzindo com firmeza para além do último véu, onde está o Santo dos Santos. Graças a Ti, Criador e Redentor dos homens, que, para mostrares ao mundo a tua caridade, preparaste a grande ceia, na qual não deste a comer o cordeiro simbólico, mas o teu santíssimo Corpo e Sangue, e que alegras todos os fiéis com o sagrado banquete, inebriando-os com o cálice da salvação, onde se encontram todas as delícias do paraíso.

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