O livro do profeta Malaquias encerra, no Antigo Testamento, a série dos profetas menores. Emblemático é o fato de que os últimos versículos falam de um mensageiro do Senhor enviado para restabelecer a relação correta entre Deus e seu povo. Uma profecia messiânica que nasceu no coração da história de Israel, mas que não se limita ao contexto em que se originou. Malachi trabalha algumas décadas após a reconstrução do templo, que ocorreu por volta de 520 a.C., após retornar do exílio. Nesse momento, os profetas Hagai e Zacarias já haviam profetizado e os exortado a olhar para frente. Mas a reconstituição do rito templário muitas vezes parece vazia de sua verdadeira alma: a celebração do amor de Deus que opera na história. A voz de Malachi se eleva para denunciar o desinteresse e a exterioridade, a distância do Senhor e a injustiça. A solução proposta pelo santo profeta é a da preparação para o encontro com o Senhor. Uma mensagem que ressoa especialmente nesta temporada do Advento.
Martirológio Romano: Comemoração de São Malaquias, profeta, que, após retornar da Babilônia, previu o grande dia do Senhor e sua vinda ao templo, e que sempre e em todos os lugares uma pura oferenda deveria ser oferecida ao seu nome.
São Malaquias é o último dos profetas menores da Bíblia, que os judeus chamam de "Selo dos Profetas" por essa razão. Pouco ou nada se sabe sobre sua vida, ele era da tribo de Zabulon e nasceu em Sophat; ele certamente viveu após o exílio babilônico (538 a.C.), durante a dominação persa, porém não se pode determinar com certeza se suas profecias são anteriores, contemporâneas ou posteriores ao retorno de Esdras à Palestina (sumo sacerdote judeu, codificador do judaísmo, séculos V-IV a.C.).
Como os livros do Antigo Testamento de Esdras e Neemias não mencionam Malaquias, pode-se inferir que ele viveu depois deles, variando as hipóteses de 519 a 425 a.C. O
livro de Malaquias trata dos problemas morais relacionados à comunidade judaica, que acabara de retornar do cativeiro babilônico, e os repreendia por suas queixas contra a Providência de Deus. estimulando-a a se arrepender.
Ele enfatiza a "eleição" de Israel, que não é apenas um privilégio honorífico de Deus, mas envolve obrigações, como todo dom divino; ele repreende sacerdotes que negligenciam e ofendem a dignidade de Yahweh e o culto que lhe é devido.
Em sua acusação contra a imoralidade, ele é intransigente e condena casamentos mistos, defende a indissolubilidade do casamento; o livro termina com uma visão escatológica (ou seja, o que virá após a vida terrena e o fim do mundo), anunciando a vinda do mensageiro de Deus, que fará uma seleção do bem entre seu povo; nessa profecia pode-se prenunciar a vinda de João Batista.
Os Padres concordam em ver em Malaquias a predigestão profética do sacrifício da Missa, com Jerusalém perdendo o título de "lugar onde se deve adorar" e Jesus instituindo o rito eucarístico para toda a humanidade.
No livro de Malaquias, o sentido da justiça imutável de Deus e da universalidade da verdadeira religião é notavelmente difundido.
Autor: Antonio Borrelli

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