Evangelho segundo São Mateus 21,23-27.
Naquele tempo, Jesus foi ao Templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se dele os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes tudo isto? Quem Te deu tal direito?»
Jesus respondeu-lhes: «Vou fazer-vos também uma pergunta e, se Me responderdes a ela, dir-vos-ei com que autoridade faço isto.
Donde era o batismo de João? Do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a deliberar, dizendo entre si: «Se respondermos que é do Céu, vai dizer-nos: "Porque não lhe destes crédito?"
E se respondermos que é dos homens, ficamos com receio da multidão, pois todos consideram João como profeta».
E responderam a Jesus: «Não sabemos». Ele por sua vez disse-lhes: «Então não vos digo com que autoridade faço isto».
Tradução litúrgica da Bíblia
(315-367)
Bispo de Poitiers, doutor da Igreja
De Trinitate, VII, 26-27
«Com que autoridade fazes tudo isto?»
É de facto como seu Pai, este Filho que Se Lhe assemelha. Dele procede, este Filho que podemos comparar ao Pai, pois que Lhe é semelhante. É igual a Ele, este Filho que realiza as mesmas obras que o Pai (cf Jo 5,19). Sim, o Filho cumpre as obras do Pai; por isso, pede-nos que acreditemos que é o Filho de Deus. Com isto não Se arroga um título que não Lhe fosse devido; não é com base nas suas próprias obras que Ele sustenta tal reivindicação. Não! Ele dá testemunho de que as obras que faz não são suas, mas do Pai. E assim, atesta que o esplendor das suas ações Lhe vem do seu nascimento divino. Mas como poderiam os homens reconhecer o Filho de Deus no mistério desse corpo que Ele assumiu, nesse homem nascido de Maria? Foi para suscitar a fé no coração dos homens que o Senhor fazia todas aquelas obras: «Mas, se as faço, embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras» (Jo 10,38).
Se a humilde condição do seu corpo se afigura um obstáculo a que acreditemos na sua palavra, Ele pede-nos para ao menos acreditarmos nas suas obras. Com efeito, por que haveria o mistério do seu nascimento humano de nos impedir a perceção do seu nascimento divino? «Embora não acrediteis em Mim, acreditai nas minhas obras, para reconhecerdes e saberdes que o Pai está em Mim e Eu estou no Pai».
Tal é a natureza que por nascimento Ele possui; tal é o mistério de uma fé que nos há de assegurar a salvação: não dividir os que são Um, não privar o Filho da sua natureza, mas proclamar a verdade do Deus Vivo nascido do Deus Vivo. «Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai» (Jo 6,57). «Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho que tivesse a vida em Si mesmo» (Jo 5,26).

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