Entre as inúmeras figuras de mães de Santos, elas também veneradas pela Santa Igreja como Santas ou Beatas, aparece a figura da Beata Berta, mãe de São Ruperto de Bingen.
A comovente história de Berta e Ruperto teria se perdido ao longo dos séculos se não tivesse sido escrita pela grande mística, escritora e musicista, Santa Ildegarda de Bingen, que viveu na mesma região séculos depois. Esta Santa tinha grande veneração pelo Santo e o mosteiro do qual era abadessa guardava as relíquias de ambos.
Berta viveu nos séculos VIII-IX, era filha do Duque da Lorena, e foi casada com o príncipe pagão Robolau (ou Roboldo), no tempo de Carlos Magno (742-814), tendo recebido como dote um vasto território ao longo da região do Rio Reno, hoje conhecida como Rupertsberg (Renânia, Alemanha).
Sendo católica praticante, procurou converter o marido, mas sem sucesso. Este morreu ainda jovem, combatendo, pouco tempo depois do nascimento de seu filho. Berta enfrentou com coragem a viuvez e dedicou-se ao serviço de Deus e a educação do filho, Ruperto, de três anos, e a proteger sua propriedade de Bingen das pretensões dos familiares de seu marido.
Ruperto cresceu fiel aos ensinamentos maternos e com a assessoria do seu mentor, São Vigberto, sacerdote e diretor espiritual de Berta, que os incentivou nas práticas de devoção e obras de caridade. Iniciou-se assim uma relação de profunda convivência espiritual entre mãe e filho.

Ruperto mostrou um precoce entendimento dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando Berta disse a ele que planejava financiar a construção de uma igreja, Ruperto retrucou: "Mas primeiro precisamos obedecer a Deus e dar pão aos famintos e roupas aos nus". Tocada pela compaixão de Ruperto, Berta associou seu filho, então com 12 anos, a fundação de um mosteiro em Bingen, usando também seus bens para construir hospitais para os pobres e doentes.
Anos depois, Berta e Ruperto fizeram uma peregrinação ao túmulo dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em Roma. Como sua fé se aprofundava, Berta decidiu transferir-se, com Ruperto, para Bingen a fim de levarem uma vida de solidão e contemplação. Esta frutífera colaboração entre mãe e filho somente foi truncada com a morte de São Ruperto, aos 21 anos, após uma grave enfermidade.
A grande dor que Berta provou foi mitigada pela consolação ao ver a veneração por seu filho que logo a população expressou. Berta adotou uma vida de oração e penitência e doou seus bens para o sustento dos monges do mosteiro em que São Ruperto fora sepultado.
Berta sobreviveu a seu filho uns 25 anos, falecendo em meados do século IX, e foi enterrada próximo de seu filho, cujo túmulo já era destino de numerosas peregrinações, a ponto de toda aquela região ser chamada Rupertsberg (a Montanha de Ruperto). Durante as invasões normandas do século X os dois túmulos foram profanados. Na Guerra dos 30 Anos, seus restos foram transladados para Eibingen.
Seu culto se conserva ainda hoje. Berta foi considerada beata desde os primeiros tempos e sua festa, junto com a de seu filho, é celebrada em 15 de maio.
Festa: 15 de maio
Século IX
Nativo de Bingen, perto de Mainz na Renânia-Palatinado. Membro de uma família ducal, consagrou-se com a mãe ao Senhor durante uma peregrinação a Roma aos túmulos dos apóstolos. De volta para casa, ele promoveu a construção de inúmeras igrejas e depois se estabeleceu em Bingen e levou uma vida de eremita com sua mãe. Ele morreu prematuramente com apenas vinte anos. Um testemunho da celebração de sua festa está localizado nos calendários de Mainz e Luxemburgo e ainda hoje é relatado no Martyrologium Romanum datado de 15 de maio.
Martirológio Romano: Em Bingen, no rio Reno, perto de Mainz, no território da atual Alemanha, São Ruperto, que duque, partiu ainda jovem em peregrinação aos túmulos dos Apóstolos, em seu retorno aos seus domínios, mandou construir muitas igrejas e aos dezenove anos adormeceu no Senhor.
São Ruperto, nascido em uma nobre família ducal em Bingen, perto de Mainz, Alemanha, viveu sua curta vida em nome da fé e da devoção. Já jovem, impelido por um profundo ardor espiritual, empreendeu uma peregrinação a Roma com a sua mãe, indo aos túmulos dos Apóstolos. Esta viagem marcou uma viragem na sua vida, consolidando nele o desejo de se consagrar totalmente ao Senhor.
De volta para casa, Rupert se destacou por seu compromisso com a promoção do cristianismo. Apoiado em sua posição social, favoreceu a construção de inúmeras igrejas, contribuindo para a difusão da fé em sua região. No entanto, sua alma foi atraída por uma vida mais contemplativa e ascética.
Estabelecendo-se em Bingen, Ruperto abraçou o caminho eremita, dedicando-se à oração e meditação na companhia de sua mãe. Sua existência, embora curta, foi rica em frutos espirituais. Ele morreu prematuramente com apenas vinte anos, deixando um legado de profunda devoção e exemplo de vida cristã.
A memória de São Ruperto não desapareceu com o tempo. Sua figura foi celebrada nos calendários de Mainz e Limburg, e seu nome ainda está incluído no Martirológio Romano, que comemora seu aniversário em 15 de maio. A veneração de São Ruperto foi particularmente sentida por Santa Hildegarda de Bingen, sua compatriota e mística de fama universal, que ajudou a espalhar o culto.
Autor: Franco Dieghi


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