Quando
Jesus nos explicou a destinação de seu corpo entregue de seu sangue derramado por
todos disse que é para a remissão dos pecados. Podemos ter uma visão
espiritualista como se a única finalidade da redenção fosse limpar a desgraça
do pecado. O pecado não é algo somente pessoal, mas é uma estrutura que se
instaurou no mundo a partir da tendência ao mal que chamamos pecado original.
Mais que tirar de uma situação de aversão a Deus, o ato redentor de Jesus, sua
vida entregue a partir de sua encarnação são a concretização da vida nova que
nos é dada. Esta consiste na comunhão com Deus e na participação de sua vida.
Há muitos modos de compreender a redenção. É bom, pois um conceito não esgota
sua riqueza. Não pode ficar fora desta riqueza de interpretação a raiz de todas
elas: Deus nos redimiu por amor. João nos escreve: “Deus amou de tal modo o
mundo que entregou seu Filho único, para que todo aquele que Nele crer não
pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Redenção é um
ato de amor de Deus e uma doação de vida. Crer é acolher amor. Por que não
acolher o amor que se manifestou com tanta generosidade a ponto de ser uma entrega
total de Deus em seu Filho? Como é redenção da pessoa humana e do mundo, suas
dimensões são infinitas e penetra todo o ser humano e tudo que a ele se refere.
A redenção atinge as fontes do mal que já conhecemos nas três tentações de
Jesus que concretizam o mal. Pela redenção Jesus corta essa raiz e deixa a cada
um fazer sua parte com sua graça. Acolher a redenção é opção, pois Deus oferece
e não força. Somente com a graça da
redenção podemos ter forças para deixar o mal. A mudança da estrutura de mal do
mundo e das pessoas só acontecerá com a opção por Jesus Cristo e seu Reino.
1442. Mais que dizer, ser
O
anúncio que Jesus faz de seu Reino, mais que uma proposta de doutrinas foi um
modo de vida. Se quisermos saber como é o Reino, não devemos nos fixar somente
nas palavras de Jesus contidas nos Evangelhos, mas buscar em sua vida a Palavra
viva. Por isso Se identifica com o Reino que se implanta como ação do Espírito
Santo. Dele não podemos controlar a ação, pois é como o vento que sopra e não
vemos de onde vem nem para onde vai (Jo 3,8). A ação
redentora de Cristo extrapola nossas estruturas pois não a podem conter
totalmente. Não somos donos da redenção. Deus quer contar conosco, mas não
podemos ser seus donos. O que se espera de quem anuncia é que tenha a vida
coerente. Estar redimido pela graça não nos faz seus donos nem seus juízes.
Deus é o Senhor. Quando vemos pessoas a se arvorarem em juízes dos outros,
podemos ter certeza que essa consciência não vem da fé. Não misturar filosofias
e costumes tradicionais ou novos conceitos com Evangelho anunciado. O que as
pessoas vêem melhor é a vida de acordo com a palavra anunciada. Vivendo bem,
somos o melhor anúncio.
1443. Anunciar pelo afeto
Os pagãos diziam
dos cristãos: “Vede como se amam”. Esse amor não é somente um ambiente restrito
e um clube para escolhidos, “meus irmãos”, mas casa aberta a todos. A redenção está aberta a todos e para
ser vivida de modos diferentes. Temos muito a ensinar e muito a aprender. Jesus
propõe aos que acolheram a salvação que vivam como Ele viveu, no amor. Esta é a
única palavra que convence. O amor de anúncio vai privilegiar os necessitados.
Um mundo de riquezas é um mundo de pobres. É a eles que se dirige em primeiro
lugar a redenção. Os que possuem bens deste mundo só serão redimidos se se
colocarem a serviço multiplicando seus bens para o bem da graça redentora.

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