sexta-feira, 11 de julho de 2014

REFLETINDO A PALAVRA - “Combati o bom combate".

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA CSsR
Guardei a fé.
Paulo dá testemunho claro do que seja uma vida impregnada de fé. Escreve a Timóteo "que combateu o bom combate e guardou a fé. Agora lhe está reservada a coroa da Justiça (2 Tim 4,7). Sua trajetória de vida, que agora chega ao fim, é marcada pela certeza da presença de Cristo que esteve a seu lado e lhe deu forças (17). Não é por nada que está em um tribunal para ser julgado, abandonado por todos. Sua fé se expressa na coragem de anunciar o evangelho às nações. A fé era um risco de vida, pois ele esteve perto da morte, mas Deus esteve com ele: "Fui libertado da boca do leão" (17).  De tudo o que fez e pode armazenar em sua vida, tem a fé como tesouro bem guardado. Por isso sente-se feliz por dizer "guardei a fé". O combate da fé sempre traz consigo os riscos, mas também a certeza. Valeu a pena! De onde Paulo tira esta força? De sua humildade em reconhecer Cristo como razão de sua vida. Por Ele vale dar a vida. Como o conheceu, quer  anunciá-lo. Paulo tem a garantia de ter lutado por Jesus. Podemos por aí ter uma noção mais esclarecida da relação de fé e humildade. A atitude de humildade é o suporte da fé. Somente com a humildade podemos ter aceitar Jesus Cristo e por Ele empenhar a vida.
Piedade de mim que sou pecador.
A parábola do fariseu e do publicano pecador que vão ao templo rezar, está a nos mostrar de onde vem a força da santificação que consiste no relacionamento com Deus. Paulo diz da certeza de onde vinha sua força: Ele me deu força. O fariseu confia na própria força porque faz bem todas as coisas e ali se coloca acima dos outros por ser tão correto. O publicano coloca-se diante de Deus e humildemente perde perdão. Reconhece quem é Deus. Sua humildade o justifica, isto é, torna-o próximo e aberto a Deus. A fé sem humildade não tem como se garantir, pois não é a aceitação de um código, mas de uma pessoa.
A oração do humilde chega ao céu.
No combate da fé, a oração é a grande arma. Oração não é um discurso que fazemos  a  Deus para conquistá-lo para nosso lado. Mas nós é que nos conquistamos para Deus. Ela nos leva a servir a Deus na humildade não do escravo temeroso, mas do filho respeitoso que se dirige ao coração do Pai no afeto da aceitação de sua vontade. Convencemos a Deus não pelo nosso belo currículo e boas obras realizadas, mas pela aceitação de nossa fragilidade e fraqueza. Por isso vemos a prece do humilde publicano ser atendida e não a  prece do fariseu cheio de si. O pecador diz: "Meu Deus, tende piedade de mim que sou  pecador". O pedido de perdão é aceito pela humildade com que é feito. Este voltou  justificado, que dizer, justo, santo. As boas obras do fariseu não o santificaram porque  faltou a humildade. Sua oração não valeu, por causa do orgulho. No combate da fé, saber a  própria fragilidade é uma arma poderosa da santidade. A prece do humilde atravessa as nuvens e, enquanto não chega, não terá repouso. Deus é imparcial, mas escuta as súplicas do oprimido e jamais despreza as súplicas dos órfãos, nem da viúva quando desabafam suas mágoas (Eclo 3516-17). 

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