terça-feira, 30 de dezembro de 2025

SÃO LIBÉRIO, PAPA

Papa de naturalidade romana, exerceu o papado de 17 de maio de 352 a 24 de setembro de 366. Grande defensor da ortodoxia de Niceia, foi em 355 exilado para a Trácia pelo imperador Constâncio II, que era partidário do arianismo pois não desejava que a Igreja latina e a grega se dividissem. Este facto provocaria também uma separação política inconveniente. O desterro de Libério resultou da sua posição contra as decisões dos concílios de Arles (353) e de Milão, convocados para resolver a divergência de atitudes sobre a consubstancialidade do Pai e do Filho e dos quais resultou a condenação de Santo Atanásio, que não os considerava consubstanciais. Este exílio provocou a eleição de um antipapa, Félix II, que no entanto não foi popular. Dois anos depois, em 357, Libério assinou um documento afirmando a sua crença na doutrina de Arrio para poder voltar a assumir as suas funções, o que se verificou um ano mais tarde. Nessa altura Félix II teve de fugir, devido à antipatia que despertava. No ano 354, de acordo com a vontade já expressa pelo seu antecessor, S. Júlio I, oficializou os festejos natalícios a 25 de dezembro, conseguindo, desta forma, assimilar as festas pagãs cristianizando-as. Mandou erguer a Basílica Liberiana no Monte Esquilino (Roma), que entretanto foi destruída e se voltou a erguer no ano de 450, chamando-se ulteriormente Santa Maria Maggiore, e iniciou a redação do Catálogo Liberiano (relação dos mártires, confessores, papas e imperadores).

Santo Anísio de Tessalônica, Bispo-Festa: 30 de dezembro(✝︎)406

Participou do Sínodo de Capua e, por sua fidelidade à doutrina da Igreja, recebeu grande elogio de Santo Ambrósio.
Martirológio Romano: Comemoração de São Anisius, bispo de Tessalônica, que, constituído pelos Pontífices Romanos como vigário apostólico na antiga Ilíria e repleto de louvores por São Ambrósio, floresceu na época do imperador Teodósio.
Ele sucedeu São Acolius na sé episcopal de Tessalônica (atual Tessalônica) em 383 (Gams, p. 429). Santo Ambrósio, em uma carta que louva seu predecessor, exorta Anísio "a mostrar-se digno dele não apenas em dignidade, mas também em moral".

São Savino(Sabino) de Assis Bispo Festa: 30 de dezembro Sec. III-IV

Emblema: Equipe pastoral 
A biografia do santo parece incerta e fragmentária; a tradição diz que ele nasceu em Sulmona e, por alguns anos, foi eremita na floresta de Liba (perto de Fusignano). A lenda afirma que, após o aparecimento de um anjo durante sua eremitério, ele foi empurrado para a evangelização da região entre Spoleto e Assis. O testemunho de sua passagem por esses lugares pode ser encontrado pela presença de uma montanha na área chamada Costa San Savino. Sua presença em Assis, por outro lado, é certa, pois ocupou o trono episcopal nesta cidade no final do século III e início do IV. Nesse período, após os éditos de Diocleciano e Maximiano, sofreu martírio. Foi sepultado em Spoleto, sendo posteriormente transferido para Fusignano. Dali, na época de Astorgio II, Manfredi, senhor de Faenza, conde de Bagnacavallo e Fusignano, foi transferido para Faenza, entre 1438 e 1444, onde seus restos ainda permanecem, que estão na capela dedicada ao santo dentro da catedral da cidade.
Autor: Vincenzo Moretti

São Félix I Papa Festa: 30 de dezembro (✝︎)274

Félix, sacerdote romano e Papa, de 269 a 274, mandou celebrar Missas diante dos túmulos, que continham relíquias dos mártires cristãos. Defendeu com força a doutrina sobre a Trindade divina e a Encarnação do Verbo.
(Papa de 05/01/269 a 30/12/274) 
Romano. Ele é referido com a disposição para celebrar missas acima dos túmulos que guardavam as relíquias dos mártires cristãos. 
Etimologia: Felice = conteúdo, do latim 
Martirológio Romano: Em Roma, no cemitério de Calisto na Via Ápia, deposição de São Félix I, papa, que governou a Igreja de Roma sob o imperador Aureliano.

Rugero de Cane Bispo, Santo + 1129

Foi um dos bispos dessa cidade italiana. 
Ele era provavelmente de origem normanda.
Rugero nasceu entre 1060 e 1070, na célebre e antiga cidade italiana de Cane. O seu nome, de origem normanda, sugere que seja essa a sua origem. Além dessas poucas referências imprecisas, nada mais se sabe sobre sua vida na infância e juventude. Mas ele era respeitado, pelos habitantes da cidade, como um homem trabalhador, bom, caridoso e muito penitente. Quando o bispo de Cane morreu, os fiéis quiseram que Rugero ficasse no seu lugar de pastor. E foi o que aconteceu: aos trinta anos de idade, ele foi consagrado bispo de Cane. No século II, essa cidade havia sido destruída pelo imperador Aníbal, quando expulsou o exército romano. Depois, ela retomou sua importância no período medieval, sendo até mesmo uma sede episcopal. No século XI, mais precisamente em 1083, por causa da rivalidade entre o conde de Cane e o duque de Puglia, localidade vizinha, a cidade ficou novamente em ruínas. O bispo Rugero assumiu a direcção da diocese dentro de um clima de prostração geral. Assim, depois desse desastre, seu primeiro dever era tratar da sobrevivência da população abatida pelo flagelo das epidemias do pós-guerra.

Margarida Colonna Virgem da Segunda Ordem, Beata (1254-1284)

Clarissa, irmã do Cardeal Colona; 
ela cuidava dos Frades Menores
enfermos e dos leprosos. Mística.
Margarida nasceu em Palestrina, Lácio-It, da família Colonna. Educada desde a mais tenra idade nas virtudes cristãs por sua mãe Mobilia ou Madalena Orsini, que tinha conhecido a São Francisco na casa de seu irmão Mateus. Ao tornar-se órfã, primeiro de pai e logo depois também de mãe, foi confiada à tutela de seu irmão João. Em 1273 depois de ter recusado um matrimónio muito vantajoso com um nobre romano, retirou-se ao Monte Prenestino, hoje Castelo São Pedro, onde fundou uma comunidade de clarissas. Viveu ali no exercício heróico de todas as virtudes, edificando ao povo com a oração e o exemplo de uma caridade heróica. Distribuiu o seu rico dote aos pobres e para si não quis nenhuma ajuda directa da parte de seus irmãos; preferiu viver como franciscana, recorrendo à “Mesa do Senhor”, pedindo esmola de porta em porta. Por ocasião de uma epidemia, Margarida fez-se “toda para todos” assistindo fraternalmente aos irmãos enfermos e recorreu também em ajuda aos franciscanos de Zagarolo.

Eugénia Ravasco Religiosa, Fundadora, Beata (1845-1900)

Fundou em Génova a Comunidade das 
Irmãs dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.
Beatificada em 2003.
Eugénia Ravasco nasceu em Milão no dia 4 de Janeiro de 1845, terceira dos seis filhos do banqueiro genovês Francisco Mateus e da nobre senhora Carolina Mozzoni Frosconi. Foi baptizada na Basílica de Santa Maria da Paixão e recebeu o nome de Eugénia Maria. A família rica e religiosa, lhe ofereceu um ambiente cheio de afectos, de fé e uma fina educação. Depois da morte pre-matura de dois filhinhos e também da perda da jovem mulher, o pai retornou a Génova, levando con-sigo o primogénito Ambrósio e a última filha Elisa com apenas um ano e meio. Eugénia ficou em Milão com a irmãzinha Constân-cia, entregue aos cuidados da tia Marieta Anselmi, que como uma verdadeira mãe, cuidou do seu cresci-mento, educando-a com amor, mas também com firmeza. Eugénia, vivaz e expansiva, na sua infância, a considerou sua mãe e se uniu a ela com grande afecto. No ano de 1852 se reuniu a sua família em Génova. O desapego da tia lhe causou uma dor fortíssima, que a fez adoecer. Em Génova, sua sede definitiva, reencontrou o pai e os dois irmãos. Conheceu o tio Luís Ravasco que tanto influenciou na sua formação. E também a tia Elisa Parodi e os seus dez filhos com os quais Eugénia viveu por algum tempo.

João Maria Boccardo Sacerdote, Fundador, Beato 1848-1913

Pároco de Pancalieri, Itália. 
Fundou a Congregação das 
Pobres Filhas de São Caetano de Thiene, 
para auxiliar os órfãos, doentes e anciãos, 
e dar educação cristã à juventude.
Em 1848, 20 de Novembro nasce o pequeno João Maria Boccardo, em Testona, município de Moncalieri. Família pobre com 8 irmãos mas muito religiosa, sentiu o chamado, entra no seminário e é ordenado sacer-dote em 3 de Junho de 1871. Trabalha no seminário como assistente e depois como reitor por vários anos. No dia 10 de Setembro de 1882 aos 34 anos de idade, recebe a proposta de assumir uma paróquia, no mo-mento sem pastor. Cidade pequena, 3000 habitan-tes: Pancalieri. Em junho de 1884 os seus paroquianos são atingidos por uma epidemia: A cólera. As providências sani-tárias são tomadas. Padre João Maria Boccardo e o grupo das Filhas de Maria redobram sua dedicação. Ninguém fica sem os sacramentos. E a epidemia de-sapareceu, tudo volta a normalidade. Mas o Pároco continua afligido por que tem muitas famílias enlu-tadas, dizimadas, atingidas pela miséria. Ele sente que a paróquia precisa continuar fazendo alguma coisa com campo da caridade. Ele fixou sua atenção nos pobres, enfermos e idosos que se faziam presentes em maior numero.

30 de dezembro - Sagrada Família

A SAGRADA FAMÍLIA, IMAGEM MODELO DE TODA A FAMÍLIA HUMANA, AJUDA CADA UM A CAMINHAR NO ESPÍRITO DE NAZARÉ
Se o Natal tiver sido ao domingo; não tendo sido assim, a Sagrada Família celebrar-se-á no domingo dentro da Oitava do Natal. 
Da alocução de Paulo VI, Papa, em Nazaré, 5.1.1964: 
O exemplo de Nazaré: 
Nazaré é a escola em que se começa a compreender a vida de Jesus, é a escola em que se inicia o conhecimento do Evangelho. Aqui se aprende a observar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado tão profundo e misterioso desta manifestação do Filho de Deus, tão simples, tão humilde e tão bela. Talvez se aprenda também, quase sem dar por isso, a imitá-la. Aqui se aprende o método e o caminho que nos permitirá compreender facilmente quem é Cristo. Aqui se descobre a importância do ambiente que rodeou a sua vida, durante a sua permanência no meio de nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo o que serviu a Jesus para Se revelar ao mundo. Aqui tudo fala, tudo tem sentido. Aqui, nesta escola, se compreende a necessidade de ter uma disciplina espiritual, se queremos seguir os ensinamentos do Evangelho e ser discípulos de Cristo.

ORAÇÕES - 30 DE DEZEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
30 – Terça-feira – Santos: Anísia, Libério, Sabino
Evangelho (Lc 2,36-40) “Depois de cumprirem tudo, voltaram para Nazaré... O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.”
A não ser pelo episódio de Jesus no Templo aos doze anos, Lucas deixa na penumbra a vida em Nazaré. Nem uma palavra sobre esses longos anos do Filho de Deus. Certamente porque, por mais extraordinária e sublime que fosse a vida naquela casa, nada havia que chamasse a atenção. A força da vida divina pulsava oculta nas pequenas coisas do dia a dia da vida de Jesus, Maria e José.
Oração
Senhor Jesus, poderia mas não fico a imaginar a vida na família de Nazaré. Respeito o silêncio que escolhestes. Mas, olhando um pouco curioso, quero aprender com os três o valor das coisas pequenas, dos pequenos gestos de amor de cada dia. Ensinai-me o silencio, a calma, a atenção cuidadosa para com os outros. Vivo correndo a fazer coisas; preciso aprender convosco a viver. Amém.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

REFLETINDO A PALAVRA - “Mestre, que eu veja!”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA(✝︎)
PADRE JOSÉ OSCAR BRANDÃO(✝︎)
REDENTORISTAS NA PAZ DO SENHOR
Um Deus que transforma
A liturgia deste 3º Domingo Comum é uma explosão de alegria não diante de um milagre, que já é maravilhoso, mas diante do Deus que opera maravilhas incontáveis. A cura do cego é um exemplo. A profecia de transformação sobre a volta dos exilados se realiza também nos muitos gestos de Jesus. Vivemos continuamente dos milagres que Deus faz por nós. Isso nos leva a tomar uma atitude de um jubiloso agradecimento. Não temos essa sensibilidade espiritual de perceber que em “Deus nos movemos e existimos” (At 17,28). Creio que nos falta sofrimento para saber o quanto Deus nos salva e liberta. O povo no cativeiro foi capaz de perceber que ele era culpado. Estavam pagando pelo pecado de ter abandonado a Deus e não vivido a sua lei. Ali, como nos narra o salmo 137, souberam chorar de saudades da cidade santa e de suas alegrias. Nesse arrependimento, Deus se adianta na libertação, como nos profetiza Jeremias (31,7-9). Deus reúne seu povo disperso e o conduz com carinho, como um pai. O povo exulta, como no salmo 125. A mudança de sofrimento para a vida é como a mudança como das torrentes no deserto. Sentem como numa colheita. A semeadura pode ser dolorosa, a colheita festiva: “Chorando de tristeza sairão. Espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando seus feixes”(Sl 125). Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria! A Eucaristia quer ser esse momento de ação de graças por tudo. Ela se transformou em um momento de peso, de sono, de missa que lembra mortos, de pressa, de críticas e mal estar. Ela é alegria. 
Ele seguia Jesus 
O cego, da escuridão de si mesmo levanta seu clamor: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim” (Mc 10,47). Ainda mandavam que se calasse. Não tem nem o direito de reclamar. Mas sua fé em Jesus supera os obstáculos. Jesus dialoga com ele: “Que queres que eu te faça?” Responde: “Mestre, que eu veja”. O pedido que vem da profundeza do ser nasce da fé profunda. Jesus responde com carinho reconhecendo nele a fé de todo o discípulo: “Vai, a tua a fé te curou!”. Vemos o resultado do milagre: “No mesmo instante ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho”. Há um dado interessante: Quando Jesus o chama, os mesmos que mandavam que calasse, dizem: “Coragem, levanta-te, Jesus te chama”. O estímulo na fé faz parte da saúde do corpo de Cristo e motiva os que o redeiam. O milagre não é a solução de um problema pessoal, mas uma proposta de seguir Jesus pelo caminho como discípulo que agora vê Jesus como caminho. Chamá-lo de Mestre é professar sua ressurreição. Jesus é sempre o Vivo. Ele vê a luz e segue a luz. A Eucaristia é momento de ver a luz e seguir no caminho da Luz que é Jesus. Só pensam em cumprir uma lei. Precisamos de uma missa que nasce do milagre dos olhos abertos. 
Sacerdócio que transforma
A carta aos Hebreus nos traz uma reflexão sobre o Sumo Sacerdócio de Cristo. Tirado do meio dos homens e, colocado em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus para oferecer dons e sacrifícios pelo pecado. O sacerdócio de Cristo tem essa dimensão antropológica: feito para o bem das pessoas que sofrem o pecado e suas consequências. Marcado pela fragilidade sabe ter compaixão. Vemos aqui que a fragilidade tem uma consequência no carinho e atenção para com as pessoas que necessitam. Geralmente acontece que muitos sacerdotes são duros com o povo porque não vem ou escondem suas fragilidades. São cheios de pecado, por isso, oferecer por si e pelo povo. 
Leituras: Jeremias 31,7-9; Salmo 125; 
Hebreus 5,1-6; Marcos 10,46-52. 
1. Deus faz maravilhas em nossa vida. Das trevas faz luz. 
2. O milagre é uma proposta de seguir Jesus. 
3. O sacerdote, marcado pela fragilidade sabe ter compaixão.
O pulo do cego 
O homem era cego, não era surdo nem estropiado. Pode pular, jogar o manto e ir até Jesus. Não são as condições humanas que nos impedem de ir a Jesus com força e certeza. Já estava com o discurso pronto: “Que queres que eu te faça?” “Que eu veja, Senhor!”. “Vai, a tua fé te curou”. Coragem, disposição e, ir atrás do que se quer. Nossa opção por Jesus exige disposição, senão não é fé. Não bastam pequenas mudanças. É preciso ser radical, isto é, mudar de raiz. O que sustenta agora é Jesus. Daí para frente o caminho é outro. Ele seguiu Jesus. Quem sabe seja o que nos falta.
Homilia do 30º Domingo Comum (28.10.2018)

EVANGELHO DO DIA 29 DE DEZEMBRO

Evangelho segundo São Lucas 2,22-35. 
Ao chegarem os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: «Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor», e para oferecerem em sacrifício um par de rolas ou duas pombinhas, como se diz na Lei do Senhor. Vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão, homem justo e piedoso, que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. O Espírito Santo revelara-lhe que não morreria antes de ver o Messias do Senhor; e veio ao Templo, movido pelo Espírito. Quando os pais de Jesus trouxeram o Menino para cumprirem as prescrições da Lei no que lhes dizia respeito, Simeão recebeu-O em seus braços e bendisse a Deus, exclamando: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque os meus olhos viram a vossa salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos: luz para se revelar às nações e glória de Israel, vosso povo». O pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados com o que dele se dizia. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: «Este Menino foi estabelecido para que muitos caiam ou se levantem em Israel, e para ser sinal de contradição; e uma espada trespassará a tua alma - assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».
Tradução litúrgica da Bíblia Santo
Inácio de Antioquia(110)
Bispo, mártir 
Carta aos Romanos, 5-7 
«Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, 
deixareis ir em paz o vosso servo» 
Hoje, começo a ser discípulo. Que criatura alguma, visível ou invisível, me impeça de ir ter com Jesus Cristo. Nem os mais cruéis suplícios me perturbam, a única coisa que desejo é estar com Jesus Cristo. De que me servem as doçuras deste mundo e os impérios da Terra? Mais vale morrer por Cristo Jesus que reinar até aos confins do Universo. É a Ele que procuro, a Ele que morreu por nós; é a Ele que desejo, a Ele que ressuscitou por nós. Aproxima-se o momento do meu nascimento. Deixai-me abraçar a luz puríssima. Nessa altura, serei um homem. Permiti-me imitar a Paixão do meu Deus. Os meus desejos terrenos estão crucificados, já não tenho em mim fogo para amar a matéria, mas apenas a «água viva» (Jo 7,38) que murmura e me segreda ao coração: «Vem para junto do Pai». Não quero continuar a saborear os alimentos perecíveis nem as doçuras desta vida. É do pão de Deus que tenho fome, da carne de Jesus Cristo, Filho de David, e como bebida quero o seu sangue, que é o amor incorruptível.

29 de dezembro - Beato Geraldo de Cagnoli

Geraldo Cagnoli nasceu em Valença, Piamonte, aproximadamente em 1268. Após a morte de seu pai, cuidou de sua mãe que tinha tuberculose até a sua morte por volta de 1280, abandonou o mundo e passou a viver como peregrino mendigando o pão e visitando os santuários. Esteve em Roma, Nápoles, Catania e possivelmente em Erice (Trapani). Impressionado pela fama de santidade do franciscano São Luís de Anjou, bispo de Toulouse, ingressou na Ordem dos Frades Menores em Randazzo, Sicília, onde fez o noviciado e viveu algum tempo. Do convento de Randazzo passou a Palermo na qualidade de porteiro, onde permaneceu até sua morte tendo a admiração de seus co-irmãos e dos fiéis por suas virtudes. Levava uma vida de dura penitência e oração segundo os ideais de estreita pobreza evangélica e amarga mortificação, de retorno à pureza original do domínio franciscano característico da corrente rigorista, que eles foram vividos e pregados por São Luís de Anjou. Perto da porta do convento plantou um cipreste e montou um pequeno altar em honra da Virgem e de São Luís de Anjou, de quem era devoto. Ali ardia continuamente uma lâmpada de azeite. Com um pequeno ramo de cipreste banhado no azeite da lâmpada, benzia os enfermos com seguinte fórmula: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pela intercessão da Virgem Maria, de São Francisco e de São Luís sê liberto desta enfermidade”.

29 de dezembro - São Davi, Rei e Profeta

O Rei Davi marcou a História, não só por ter matado Golias, vencido muitas guerras, e sofrido terríveis perseguições de Saul e de seu próprio filho, Absalão. Como uma estrela fulgurante, ele brilha - e brilhará até o fim do mundo - pelos Salmos de sua autoria. Em todas as Santas Missas e na Liturgia das Horas, os Salmos são rezados. Além de grande rei, Davi foi profeta. Em seus admiráveis Salmos, ele descreve, com aproximadamente mil anos de antecedência, o Messias esperado. Entre outras profecias, ele previu que Jesus Cristo: - nasceria da tribo de Judá (cf. Sl 78, 68); - incutirá pavor nos seus inimigos (cf. Sl 2, 5); E, quanto à Paixão, Davi profetizou que o Redentor: - seria traído por um "que comia do meu pão" (Sl 41, 10), isto é, Judas Iscariotes; - sofreria terrores mortais, ou seja, a Agonia do Horto das Oliveiras (cf. Sl 55, 5); - seria zombado pelos seus algozes (cf. Sl 22, 8); - suas mãos e seus pés seriam transpassados (cf. Sl 22, 17); - seria desnudado e sobre sua túnica lançariam sorte (cf. Sl 22, 19); - no alto da Cruz, sofreria ardente sede e Lhe dariam vinagre para beber (cf. Sl 69, 22); - e daria o brado: "Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonaste?" (Sl 22, 2).

Santa Benta Hyŏn Kyŏng-nyŏn e seis companheiras, Mártires - 29 de dezembro

Martirológio Romano:
Em Seul, na Coreia, Santa Benta Hyŏn Kyŏng-nyŏn, viúva e catequista, e seis companheiros, mártires, que depois de terem sofrido muitos suplícios pelo nome de Cristo, morreram finalmente decapitadas. 
A ação do Espírito Santo, que sopra onde quer, conta com o apostolado de um generoso grupo de leigos na raiz da Santa Igreja de Deus nas terras coreanas. A primeira semente da fé católica foi levada para sua pátria por um leigo coreano em 1784, no seu retorno de Pequim. Fecundada na metade do século XIX pelo martírio de 103 membros da jovem comunidade, entre eles se destacando Santo André Kim Taegon, o primeiro presbítero coreano e o apóstolo leigo São Paulo Chong Hasang. As perseguições que ocorreram em ondas sucessivas de 1839 a 1867, ao contrário de sufocar a fé dos neófitos, suscitaram uma primavera como por ocasião da Igreja nascente. Repetia-se o fato: “o sangue de mártires é semente de cristãos”.

Tomás Becket Bispo, Mártir, Santo 1118-1170

Vítima da perseguição ordenada contra a Igreja, 
pela rainha Isabel I da Inglaterra.
Tomás Becket nasceu no dia 21 de dezembro de 1118, em Londres. Era filho de pai normando e cresceu na Corte ao lado do herdeiro do trono, Henrique. Era um dos jovens cortesãos da comitiva do futuro rei da Inglaterra, um dos amigos íntimos com que Henrique mais tinha afinidade. Era ambicioso, audacioso, gostava das diversões com belas mulheres, das caçadas e das disputas perigosas. Compartilharam os belos anos da adolescência e da juventude antes que as responsabilidades da Coroa os afastasse. Quando foi corado Henrique II, a amizade teve uma certa continuidade, porque o rei nomeou Tomás seu chanceler. Mas num dado momento Tomás voltou seus interesses para a vida religiosa. Passou a dedicar-se ao estudo da doutrina cristã e acabou se tornando amigo do arcebispo de Canterbury, Teo-baldo. Tomás, por sua orientação, foi se entregando à fé de tal modo que deixou de ser o chanceler do rei para ser nomeado arcediácono do religioso. Quando o arcebispo Teobaldo morreu e o papa con-cedeu o privilégio ao rei de escolher e nomear o sucessor, Henrique II não vacilou em colocar no cargo o amigo. Mas o rei não sabia que o antigo amigo se tornara, de fato, um fervoroso pastor de almas para o Senhor e ferrenho defensor dos direitos da Igreja de Roma.

Santa Benedita Hyon Kyong-nyon Vadova, catequista, mártir Festa: 29 de dezembro

Jovem viúva dedicada à catequese na Coreia. 
Recusou-se a apostatar e foi decapitada 
após sofrer muitos suplícios.
(*)Seul, Coreia do Sul, 1794
(✝︎)29 de dezembro de 1839 
Martirológio Romano: Em Seul, Coreia, os Santos Benedicta Hyŏn Kyŏng-nyŏn, viúva e catequista, e seis companheiros, mártires, que, após sofrerem muitas torturas em nome de Cristo, finalmente morreram decapitados. [Seus nomes são: Santos Pedro Ch'oe Ch'ang-h b, catequista; Barbara Cho Chung-i, viúva de São Sebastião Nam I-gwan; Magdalene Han Y ng-i, viúva; Elizabeth Ch ng Chong-hye, virgem, filha de Santa Cecília Yu So-sa e irmã de São Paulo Ch ng Hasang; Barbara Ko Sun-i, esposa de Santo Agostinho Pak Chong-n: Magdalene Yi Yong-d g, virgem, irmã de Santa Catarina Yi.]
Santa Bárbara Ko Sun-i foi esposa do mártir Santo Agostinho Pak Chong-won e filha de Ko Kwang-song, martirizado em 1801. Nascido em Seul em 1794. Ela era uma mulher honesta e inteligente. Aos 18 anos, casou-se com Sant'Agustin Pak e teve três filhos. Toda a família é verdadeiramente católica. Seus filhos receberam uma grande educação nos ensinamentos da fé.

Catarina Volpicelli Religiosa, Fundadora, Santa 1839-1894

Fundadora das Servas do Sagrado Coração.
No dia 29 de abril de 2001 Sua Santidade 
Papa João Paulo II proclamou-a Bem-aventurada.
Catarina Volpicelli, Fundadora das Servas do Sagrado Coração, pertence à classe dos «apóstolos, dos pobres e marginalizados», que no século XIX para Nápoles foram um luminoso sinal da presença de Cristo «Bom Samaritano», que se aproxima de cada homem que sofre no corpo e no espírito, para derramar sobre suas feridas, o óleo da consolação e o vinho da esperança (cf. Missal Romano, 2° ed. Italiana, Roma 1983, Prefácio comum VIII, p. 3752). Nascida em Nápoles, no dia 21 de janeiro de 1839, Catarina recebeu no seio de sua família de alta bur-guesia, uma sólida formação humana e religiosa. No colégio educandário San Marcelino, sob a guia sábia de Margarida Salatino (futura fundadora com o Beato Ludovico da Casoria das Irmãs Franciscanas Elisabetinas Bigie), aprendeu letras, línguas e músi-ca, o que não era frequente para as mulheres do seu tempo. Guiada então pelo Espírito do Senhor, que lhe reve-lava o projecto de Deus através da voz dos sábios e santos directores espirituais, Catarina que, no entan-to, julgava-se mais importante que a sua irmã, a brilhar na sociedade frequentando teatros e espectá-culos de danças, renunciou com prontidão os eféme-ros valores de uma vida elegante e despreocupada, para aderir com generosa decisão a uma vocação de perfeita santidade.

ORAÇÕES - 29 DE DEZEMBRO

Oração da manhã para todos os dias 
Senhor meu Deus, mais um dia está começando. Agradeço a vida que se renova para mim, os trabalhos que me esperam, as alegrias e também os pequenos dissabores que nunca faltam. Que tudo quanto viverei hoje sirva para me aproximar de vós e dos que estão ao meu redor. Creio em vós, Senhor. Eu vos amo e tudo espero de vossa bondade. Fazei de mim uma bênção para todos que eu encontrar. Amém. 
As reflexões seguintes supõem que você antes leu o texto evangélico indicado.
29 – Segunda-feira – Santos: Tomás Becket, Segundo, Primiano
Evangelho (Lc 2,22-35) “O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele.”
Maria e José tinham recebido diretamente de Deus a revelação do mistério da encarnação e da missão redentora de Jesus. Ficavam, porém, “admirados com o que diziam a respeito dele” os pastores que o foram ver na gruta, e no Templo Simeão e Ana. Por mais que saibamos sobre Deus e seus planos, sempre podemos aprender um pouco mais ouvindo nossos irmãos na comunidade.
Oração
Senhor, agradeço a fé que me destes, que me leva a aceitar o que nos revelais sobre vós e vossos planos. Fazei-me também atento para o que me dizem meus irmãos na comunidade. Através deles continuais a me falar, levando-me a vos conhecer mais profundamente, e a discernir com mais tranquilidade vossa vontade sobre mim. Ajudai-me a estar sempre à escuta de vossa palavra. Amém.

domingo, 28 de dezembro de 2025

REFLETINDO A PALAVRA - “Coração de pobre”

PADRE LUIZ CARLOS DE OLVEIRA(✝︎)
REDENTORISTA NA PAZ DO SENHOR
As bem-aventuranças
 
O Papa Francisco em seu ensinamento sobre a santidade, Gaudete et exultate, nos oferece a definição que dá o Evangelho. E diz em um texto sintético: “Sobre a essência da santidade, há muitas teorias, abundantes explicações e distinções. Uma reflexão sobre essas ideias poderia ser útil, mas não há nada de mais esclarecedor do que voltar às palavras de Jesus e recolher o seu modo de 
transmitir a verdade. Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo; Ele o fez quando nos deixou as bem-aventuranças (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23). Estas são como que o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre ‘como fazer para chegar a ser um bom cristão’, a resposta é simples: ‘é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no sermão das bem-aventuranças’. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia-a-dia da nossa vida” (GE 63). Maravilhosa apresentação. Vemos pela história da espiritualidade que se fez de tudo para viver a santidade. Mas só ficou santo quem viveu a experiência das bem-aventuranças que foi o caminho que fez Jesus. Examinemos bem o que há por aí de doutrina sobre santidade. No evangelho é claro. Isso não é poesia. É o caminho da cruz, não da dor, mas da entrega total de si a Deus e aos irmãos. Se na Igreja se vive de um modo tão distante ao evangelho, o que dizer do mundo oposto ao Reino. Quem caminha pelas bem-aventuranças está contracorrente. Foi assim que viveu Jesus. Seus valores são completamente diversos dos valores do mundo. Jesus nos desafia. 
O Reino pertence ao pobres. 
“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu” (Mt 5,3). Essas palavras têm gerado muitas interpretações, mas pobre que é pobre, é pobre. Não há pobreza sem ser pobre. Assim escreve Papa Francisco: “O Evangelho convida-nos a reconhecer a verdade de nossa vida, para ver onde colocamos a segurança do nosso coração. Normalmente, o rico sente-se seguro com as suas riquezas e, quando estas estão em risco, pensa que se desmorona todo o sentido da sua vida na terra” (GE 67). A pobreza não está nos bolsos, mas no coração. O Papa continua: “As riquezas não te dão segurança alguma. Mais ainda: quando o coração se sente rico, fica tão satisfeito de si mesmo que não tem espaço para a Palavra de Deus, para amar os irmãos, nem para gozar das coisas mais importantes da vida. Deste modo priva-se dos bens maiores. Por isso, Jesus chama felizes os pobres em espírito, que têm o coração pobre, onde pode entrar o Senhor com a sua incessante novidade” (GE 68). Pobreza de coração tem sua riqueza no Senhor. Os bens materiais enchem os cofres, os bens espirituais enchem o coração vazio de bens materiais. 
Ser pobre no coração: isto é santidade. 
A pobreza de espírito nos esvazia de tudo, não só de bens materiais. “Esta pobreza de espírito está ligada à “santa indiferença” proposta por Santo Inácio de Loyola, na qual alcançamos uma estupenda liberdade interior”(GE 69). Lucas não fala de pobreza “em espírito”, mas simplesmente de ser “pobre” (Lc 6, 20), convidando-nos assim a uma vida também austera e essencial. Desta forma, chama-nos a compartilhar a vida dos mais necessitados, a vida que levaram os Apóstolos e, em última análise, a configurar-nos a Jesus, que, “sendo rico, Se fez pobre” (2 Cor 8,9) (GE 70). Sem a pobreza material não poderemos, com facilidade, nos libertar dos bens materiais. O desapego deve ser total e deve atingir todas as dimensões de nossa vida. É a indiferença, porque temos tudo em Cristo. O pouco nos basta e nos faz felizes.
ARTIGO PUBLICADO EM OUTUBRO DE 2018